Tratamento do Pé Plano e Pé Cavo
O pé possui dois arcos plantares: um longitudinal e outro transversal. É uma grande quantidade de anomalias estáticas caracterizadas por um rebaixamento do pé sobre sua borda interna, denominada de pé chato. Esta pode vir a se manifestar por uma simples pronação do antepé ou valgo ou serem completadas por um rebaixamento plantar anterior.Distinções dos pés chatos da criança, do adolescente e do adulto. Na criança – pé chato valgo simples ou estático; – pé chato valgo congênito; – pés chatos paralíticos ou espásticos. No adolescente e adulto Evolução de um pé chato da infância para a adolescência e no adulto, mas podendo igualmente ser primitivo no adulto devido ao envelhecimento e falta do trabalho muscular; podemos distinguir: – pé chato flexível; – pé chato contracturado; – pé chato inveterado e artrósico. O PÉ CHATO DA CRIANÇA O Pé Chato Valgo Simples Rebaixamento global do pé, horizontalizando-se e oscilando em valgo, com o arco interno decaindo, e as relações tálus-calcâneas mantendo-se normais. É um pé chato estático e simples devido a uma hiperflacidez ligamentar e a uma hipotonia muscular que é igualmente secundária a outras deformações ortopédicas (genuvalgum-genu recurvatum – rotação do esqueleto das pernas).
O tratamento deste pé chato essencialmente benigno será ortopédico: – uso de selas ortopédicas e de calçados de cano reforçado; - Fisioterapia com a Cinesioterapia; – Tratamento das deformações secundárias eventuais. Muitos destes pés chatos corrigem-se progressivamente sozinhos, e o tratamento só será empreendido a partir de três a quatro anos e nas formas graves (2º e sobre tudo 3º graus).
Fisioterapia com a CINESIOTERAPIA » Exercício de tonificação: – músculo tibial posterior; – músculos próprios do grande artelho (hálux); – fibular longo lateral e tibial anterior; – tríceps; – músculos intrínsecos do pé: => interósseos; => flexor curto dos dedos do pé; » Exercícios: – analíticos; – em cadeira muscular Kabat (contrações repetidas); – funcionais (preensão de objetos redondos, enganchamento etc). » Exercícios diversos de distensão dos membros inferiores entrecortando a tonificação (evitar as cãibras) bem como massagem circulatória. » Exercícios diversos de marcha: – marcha corretora de Hauser; – deslocamentos laterais sobre uma barra; – marcha sobre plano inclinado; – marcha sobre a ponta dos pés; – pés nus sobre terreno variado e desigual (areia, seixos, gramado). » exercícios de equilíbrio e de reeducação proprioceptiva sobre pranchas móveis e cilindros, do pé e do membro inferior em seu conjunto. Observação: Repetir este tratamento regularmente no consultório (duas a três séries por ano) e ensinar aos pais exercícios que serão de indispensável execução diária em casa.
O Pé Chato Valgo Congênito ou Verdadeiro Pé Chato Caracterizado por um aumento importante da divergência tálus-calcânea (verticalização talar), um valgo calcâneo e uma redutibilidade passiva impossível. É um pé que será essencialmente cirúrgico. Os principais métodos propostos são: – as tenodeses e a osteotomia de translação calcânea; – as técnicas de artrodeses subtalar: introdução de um enxerto ósseo ou de um implante artificial no seio do tarso; – a “recolocação em sela do tálus” ou operação do “cavaleiro” ou “aparafusamento” de Judet, onde o cirurgião libera o tálus, reposiciona-o corretamente e fixa-o temporariamente por um parafuso tálus-calcâneo. A cirurgia então será efetuada em tomo dos quatro a cinco anos. Nas formas mais graves o tratamento ortopédico do pé chato valgo simples às vezes será o bastante.
Fisioterapia e a CINESIOTERAPIA em geral: Imobilização gessada de seis semanas. Após a retirada do gesso – massagem trófica e cicatricial; – mobilização progressiva (ativo assistida, depois passivo suave) da tibiotársica e das diversas articulações do pé; – tonificação suave de todos os músculos do pé; – colocação de carga progressiva após oito semanas e correção da marcha. Após consolidação obtida (controle R.X.) Cinesioterapia intensiva e regularmente repetida. Pé Chato por Sinostese A mais freqüente é a sinostese calcâneo-escafoidiana, ocasionando contrações e dores quando se caminha, depois de ocorrer a ossificação completa, e evoluindo para a artrose. Impõe-se uma operação precoce. Pé Chato Paralítico e Espástico Seu tratamento cinesioterápico entrará no conjunto da afecção causal do pé chato.
PÉ CHATO DO ADOLESCENTE E DO ADULTO Pé Chato Flácido A deformação com rebaixamento da abóbada longitudinal interna e / ou valgo da parte posterior do pé, poderá ser corrigida ativamente. É o período dos problemas funcionais onde as dores só aparecerão episodicamente à noite e quando há grande fadiga dos pés. Fisioterapia com a CINESIOTERAPIA Associada ao uso de bons calçados e de palmilhas ortopédicas bem adaptadas e individualizadas, o tratamento cinesioterápico, que será de longo prazo (exercícios para repetir uma ou duas vezes por dia a domicílio) será idêntico ao do pé chato valgo simples na criança. Pé Chato Contracturado Doloroso, é conseqüência do pé chato flácido, ou de um traumatismo (entorse) ou de um dano reumático. As contraturas serão mais ou menos generalizadas a todos os músculos externos, com as deformações não podendo ser corrigidas ativamente e as dores despertando ao menor esforço. Nos casos agudos e especialmente os pés traumáticos e reumáticos, uma imobilização gessada de várias semanas será às vezes necessária antes de qualquer outro tratamento. Fisioterapia com a Fisioterapia com a CINESIOTERAPIA » Fase aguda – Crioterapia (face antero-externa) substituída progressivamente pela termoterapia. (Parafina – compressas). – Eletroterapia: a) sedativa; b) excitomotora dos antagonistas. – trabalho isométrico dos antagonistas supinadores. – massagem descontraturante e massagem reflexa. – relaxamento. » Fase subaguda – banhos alternados quentes-frios (banho de contraste); – massagem descontraturante e circulatória (mais massagem reflexa); – relaxamento; – mobilizações passivas não dolorosas de todas as articulações; – exercícios ativos progressivos para pés chatos entremeados freqüentemente de relaxamento, e circulatórios (não ocasionando nem dor nem nova contratura). – conselhos para a vida diária: a) sapatos e selas adaptados; b) limitar a permanência em pé e marchas prolongadas. Pé Chato Inveterado e Pé Artrósico Neste encontraremos subluxações, deformações ósseas e artrose. O pé mostra-se anquilosado e dolorido, a marcha é muito penosa. – eletroterapia (O. C. U. S.); – termoterapia (parafina – compressas); – mobilização ativa do tornozelo; – reeducação da marcha e uso de calçados e palmilhas adaptadas.
A cirurgia poderá ainda ser indicada: No caso dos pés chatos flácidos: Técnicas bastante diversas que exigirão uma longa imobilização gessada. Cinesioterapia Pós-operartória – massagem trófica e cicatricial; – mobilizações passivas e ativas de todas as articulações; – musculação progressiva. Para o pé contraturado Essencialmente artrodeses. Cinesioterapia Pós-operartória Idem ao item anterior, exceto naturalmente o trabalho de mobilização da região artrodesada.